Daniel Cavalcanti: inventando de surpreender Por Hugo Oliveira Daniel Cavalcanti é um babaca. Minto. Daniel é um cantor/compositor low-profile: isso faz dele um babaca. Escutei a demo “Invenção” no dia 23 de maio deste ano. Estava trabalhando, e, ao acessar o site “Trama Virtual”, dei de ouvidos com cinco canções que na pior das hipóteses, vem a público para injetar duas coisas raras no atual cancioneiro mpbístico: melancolia e mistério. Em “Ao telefone”, música e letra - compostas por Daniel, que canta e toca com segurança e emoção - caminham de mãos dadas, compartilhando do mesmo sentimento de distância e saudade, até que a ficha cai, e não vislumbramos nenhum final feliz para o casal da canção. E nem triste. Só dúvida. O compositor, baixista e fiel escudeiro de Daniel, Cadu Correa, assina a letra de “Júlia”, outro ponto alto da demo. Não sei sobre o que versa a letra, e sinceramente, não quero saber. É justamente do desconhecido que vem a beleza e o lirismo da música. Ao compor suas canções, Daniel opta por um formato bem simples, usando apenas de violões - “Devo estar” é a única música que apresenta baixo e bateria -, o que não impede que o músico apresente composições bem trabalhadas - diferente de virtuosismo chato. Para “O brincante e o brinquedo”, o músico recorre à letra de Bruno Ferraz, cantor e compositor angrense especialista em temas inusitados, e o resultado não poderia ser diferente. “Pouca Soja” é uma boa música, mas acaba, mesmo com o belo violão de Daniel, passando despercebida em relação às outras canções. Daniel Cavalcanti nasceu no Rio, e está se mudando para São Paulo. Não é babaca. Nem low-profile. Ele é, por enquanto, um ilustre - músico - desconhecido, que inventou uma coleção de músicas surpreendentes. O babaca, por não conhecê-lo antes, sou eu.